terça-feira, 22 de março de 2011

AFRODISÍACOS





Quer coisa mais afrodisíaca do que morar próximo à linha do Equador, em um país tropical, que lembra praia, que lembra calor, que lembra pouca roupa, que lembra...
Bom mas, voltando ao assunto, diz a lenda que o termo da palavra (afrodisíaco) deriva de Afrodite (deusa grega do amor e da beleza). É certo que o uso de substâncias e rituais pelo homem para incrementar a libido não de hoje. Compreendem uma gama de itens como alimentos, bebidas, ervas, produtos químicos, entre outros. São enominados dessa forma, todo elemento a que lhe sejam atribuídas propriedades estimulantes.

ALIMENTOS
ostras, caviar, lardo, alcaçuz, chili, curry, chocolate, coxas de rã, carne de avestruz, trufas, tomate, pepino, aspargo, avelã, morangos, pétalas de rosa ...

BEBIDAS
bebidas alcoólicas e certas infusões

ODORES
perfumes, água de colônia (principalmente com almíscar ou hormônios químicos)

PRODUTOS QUÍMICOS
fórmulas farmacêuticas com intensificadores hormonais

PRODUTOS NATURAIS
ginseng, miura puama, ervas usada na idade média (periwinkle e henbane), mandragora, catuaba...

OUTROS
óleos essenciais, cristais, essências florais, música...

Mas funciona mesmo a cozinha afrodisíaca? Existe uma inegável correlação entre cama e mesa. A combinação de diversas reações sensoriais, visual e olfativa, aliados à gratificação tátil que é concedida aos mecanismos orais na degustação conduzem ao estado de euforia. O grande toque na gastronomia e muitas vezes o segredo dos chefs,  sempre foram as especiarias. Entre elas, jasmim, gengibre, cravo, coentro, pimenta, baunilha, açafrão e uma série de outros temperos mundo afora. Que tal já ir pensando em um menu especial para o dia dos namorados? Divirtam-se!

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

TÚNEL DO TEMPO


Quem não volta aos tempos de infância, vendo as embalagens antigas das guloseimas de quando era criança?! O Museu Paulista da USP promove a mostra PAPEL DE BALA, o acervo de 5.266 rótulos pertence ao arquiteto e professor Egydio Colombo Filho.




Foram selecionados 206 embalagens de balas, chicletes e pirulitos, na sua grande maioria da segunda metade do século XX.




Serão apresentados rótulos de produtos que já saíram de circulação e de outros consumidos até hoje. Na mostra o visitante poderá levantar 3 questões: os sabores preferidos por gerações, a transformação das embalagens e a mudança e costumes. A exposição fica até 20 de março de 2011:

onde:           Museu Paulista da USP - tel: (11) 2065-8001
endereço:    Parque da Independência, s/n - São Paulo/SP
quando:       de terça a domingo, das 9hs às 17hs
ingressos:    R$6,00 (inteira) e R$3,00 (meia)

domingo, 13 de fevereiro de 2011

'MARMITAS'

'MARMITAS' por Emmanuel Bassoleil, para o Calendário 2011 do Studio SC

Inspirado na marmita dos funcionários de obra, Sergio Coimbra convidou 12 chefs de cozinha para registrar seus pontos de vista de uma marmita. A obra em questão na época (2010) era a do Studio SC, estúdio  especializado em fotografias de comida para publicidade e editoriais. O criativo trabalho resultou no calendário 2011, distribuído para apenas 600 pessoas. E só. Não está à venda...e o Ovo Frito Gourmet tem o seu ... (=

Os chefes, Eudes Assis (Seu Sebastião), Murakami (Kinoshita), Alex Atala (D.O.M.), Rodrigo Oliveira (Mocotó), Bel Coelho (Dui), Ana Luiza Trajano (Brasil a Gosto), Jefferson Rueda (Pomodori), Emanuel Bassoleil (Skye), Carla Pernambuco (Carlota), Raphael Despirite (Marcel), José Barattino (Emiliano) e Augusto Piras (La Tambouille) assinam as fotos do calendário.

A foto em destaque é do chef  Emmanuel Bassoleil (hotel Unique), com sua versão de Confit de Cannard.

Confit de pato (4 pessoas)

ingredientes
4 coxas e sobecoxas de pato cortadas juntas
300 g de sal grosso
400 g de banha de porco ou a própria gordura do pato
1 maçã ácida
3 dentes de alho
1 ramo de tomilho
2 folhas de louro
8 pimentas em grão masseradas
óleo de milho

modo de preparo

De um dia para o outro, coloque as coxas com as sobrecoxas no sal grosso. Retire o excesso do sal . 
Derreta em uma panela a banha de porco ou de pato. Junte as coxas com as sobrecoxas, a maçã cortada em 4 sem as sementes, os dentes de alho, o tomilho, o louro e as pimentas em grão.
Tome cuidado para que a gordura cubra o pato. Cozinhe em temperatura média de 100 a 120ºC por 3,5 a 4 horas em média.
Retire as sobrecoxas da gordura e doure em uma frigideira antiaderente em óleo bem quente (160º a 180ºC), o lado da pele para baixo até que fique bem crocante! 

Dica: Para conservar as coxas, retire da gordura e acomode em um recipiente. Coe a gordura e cubra as coxas, conservando em geladeira.

receita retirada do livro: 
Os Sabores Da Borgonha, Emmanuel Bassoleil - Editora SENAC

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

COZINHA vs TECNOLOGIA


Partindo da máxima de que "Tempo é dinheiro", como explicar a resistência de algumas pessoas às inovações tecnológicas na cozinha. Sem dúvida uma das mais difundidas no meio é o forno combinado, com ele um banquete para 1.000 pessoas parece brincadeira de criança. Como são equipamentos caros, deve ser observado o que melhor se adéqua ao seu negócio, mas é evidente que o custo/benefício e muito vantajoso. Alguns desses "brinquedinhos" surgiram com a onda da cozinha "molecular" e talvez só tenham relevância para certo tipo de preparações muito específicas. Observando que se unirmos, criatividade  a uma certa lei do Lavoisier "nada se perde, tudo se transforma", teremos 100% de aproveitamento de qualquer tipo de equipamento (por mais hi-tech que ele possa parecer). Vejamos alguns exemplos:

FORNO COMBINADO

Eles são capazes de assar, fritar, grelhar, gratinar, aquecer (sem ressecar), cozinhar em banho-maria e a vapor, regenerar, tudo controlado automaticamente, com ponto de cocção (mal passado, ao ponto ou bem passado), grau de cozimento (claro, médio ou escuro), ajuste de tempo, temperatura, umidade. E, ainda, fazem tudo isso com diversos tipos de alimentos diferentes ao mesmo tempo, muito mais rápido que na cozinha convencional e economizando energia.

THERMOMIX

Com diversas funções simultâneas, entre elas: balança e vaporizador. A mais legal de todas é o (super) processador de alimentos (me salvou várias vezes na cozinha do Carlota =) ...). Com sua temperatura controlada, conseguimos obter cremes e purês com textura muito mais aveludada. Além de que podemos cozinhar e processar simultaneamente. 





PACOJET

Usado para emulsionar rapidamente sorvetes e sorbets (tritura o gelo em grãos imperceptíveis), processa alimentos congelados.



RONER

Termocirculador que possibilita cocção em baixa temperatura, com controle preciso de calor. Para alimentos embalados a vácuo ou com cozimentos em dois tempos por exemplo. A qualidade das características organolépticas nas preparações, é sem dúvida superior com a utilização desta técnica.

GASTROVAC

Uma panela de pressão futurística é o que parece! A máquina possibilita a cocção a vácuo (baixa pressão e ausência de oxigênio) deixando os alimentos porosos e facilitando a absorção de outros aromas e sabores.



É bem verdade que são equipamentos caros, mas que otimizam o trabalho e fazem o diferencial no seu produto final.


quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

O CAFÉ



Pode ser definido como: uma bebida produzida através dos grãos torrados dos frutos do cafeeiro, conhecido cientificamente como Coffea arábica. O fruto (denominado "cereja") nasce da flor branca do pé, muito bela e com aroma semelhante ao jasmim. Diz a lenda que Kalil, pastor de cabras na Etiópia (nordeste da África), observou o efeito excitante que os frutos e as folhas de determinado arbusto produziam em seu rebanho. "Ainda que verdadeira essa velha história, ao pastor observador caberia somente a metade da honra da descoberta; a outra pertence incontestavelmente àquele que, pela primeira vez, pensou em torrificar essa baga." escreveu Brillat-Savarin em (Fisiologia do gosto, 1797). 

O café, depois da água, é a bebida mais consumida no mundo. O conhecimento dos efeitos da bebida disseminou-se e no séc. XVI o café era utilizado no oriente, sendo torrado pela primeira vez na Pérsia. O hábito de tomar café como bebida prazerosa, em caráter doméstico ou em recintos coletivos, deslancharia a partir de 1450. O produto era apropriado para a cultura árabe-islâmica, pois vinha ao encontro dos preceitos religiosos do islamismo ditados pelo Alcorão, que condenava bebidas alcoólicas. A princípio,um de seus consumos correntes foi entre os filósofos sufis, que, ao tomá-lo,permaneciam acordados para a prática de exercícios espirituais. Ao longo do século XVI, os árabes ampliaram as plantações em face do interesse pela bebida que atraía pelo teor excitante, pela proveniência oriental e pelo seu potencial de comercialização. Em 1520, a região de Moka, principal porto do Iêmen, foi responsável por um dos maiores cultivos do produto no mundo árabe. E seu porto, o maior exportador. Cabe à Turquia, contudo, o pioneirismo do “hábito do café”, que ali se popularizou e transformou-se em ritual de sociabilidade.  No continente europeu, a porta de entrada do café em grão para o preparo da bebida foi a cidade de Veneza, no ano de 1615, o grande mercado de especiarias e artigos de luxo, centro difusor de produtos finos distribuídos para as cortes européias da época. Ganhou o novo mundo através dos holandeses, e trazido para o Brasil em 1727 (mais precisamente no estado do Pará). Devemos também citar que São Paulo deixou de ser um povoado provinciano graças à cultura cafeeira, e também cúmplice da cultura política de uma era conhecida como a "República do Café com Leite"
Tudo pode começar ou terminar com um cafezinho, qualquer motivo pode se tornar desculpa para um cafezinho, encontros e desencontros, fechar um  negócio ou até mesmo um simples bate-papo costumam ser regados com um café. Puro, com leite, machiatto, capuccino, com chantilly, com açúcar ou adoçante, as variedades são imensas. Independente do explendor de uma refeição, o "gran finale" sempre fica com o cafezinho e também o argumento para alongar uma conversa. Aquela bebida dotada de caráter agregador, estimulante à troca de idéias, liberava a comunicação entre os homens, que passaram a consumi-la em lugares públicos. A Inglaterra foi o primeiro país a cultivar o hábito dos Cafés públicos, mas coube à França eternizar esse modelo de espaço lúdico através doscharmosos Cafés parisienses. Viena, que se celebrizou inclusive pelos “cafés vienenses”, conheceu o produto em circunstância fortuita. Em 1683, já era apreciado com um diferencial: coado e acrescido de leite, mais tarde com açúcar e chantilly. Hoje, novos sabores são acrescentados à bebida, com receitas sofisticadas que imortalizaram os espaços glamourosos dos tradicionais Cafés vienenses. Existem mais de 1.000 compostos aromáticos presentes no café, que me perdoem os enólogos, mas também deve ser considerada uma bebida dos Deuses.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

A CAJUÍNA


Cajuína
Caetano Veloso
 
Existirmos: a que será que se destina?
Pois quando tu me deste a rosa pequenina
Vi que és um homem lindo e que se acaso a sina
Do menino infeliz não se nos ilumina
Tampouco turva-se a lágrima nordestina
Apenas a matéria vida era tão fina
E éramos olharmo-nos intacta retina
A cajuína cristalina em Teresina

Assim é cantada esta bebida típica do Piauí, estado brasileiro, nos versos de Caetano Veloso. Ela é símbolo cultural da capital daquele estado, Teresina, mas faz parte da cultura nordestina em geral (Ceará e Rio Grande do Norte principalmente). A bebida de cor âmbar e sabor característico (não alcoólica) , é resultado da clarificação e pasteurização do sumo do cajú, deriva do antigo costume dos nativos indígenas que consumiam o extrato de caju fermentado (o caoi, ou caoim). 
 
O processo ocorre da seguinte maneira (bem resumido): lavam-se bem os cajus (devem estar  maduros e sem nenhum "machucado" ou sinal de putrefação), retira-se a castanha (que é o fruto propriamente dito, a polpa é o pseudofruto). É extraído o suco puro do cajú através da prensagem, depois adiciona-se uma solução de gelatina incolor que funciona como agente clarificante. Passa-se o líquido por um coador de pano ou feltro, depois de envasada e bem fechado, a pré-cajuína já nas garrafas passa por um processo de pasteurização em banho-maria. A cajuína oferece propriedades antioxidantes e antimutagênicas. Após o resfriamento, é só consumir bem gelada.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

DO CACAU AO CHOCOLATE


Paixão mundial sem dúvida nenhuma (quem não gosta de chocolate é ruim da cabeça ou doente do pé! Bem não deve ser do pé que a pessoa é doente, mas tudo bem!), ainda hoje o chocolate é artigo de luxo. Sim Luxo, pois o bom e refinado chocolate ainda é inacessível para a maioria das pessoas. O que vemos na maioria das prateleiras são misturas baratas e grosseiras de açúcar com manteiga de cacau. Mas em caso de dúvida saibam que o divino chocolate é derivado do caroço do cacau. As sementes são secas, limpas e prensadas. Mas do fruto do cacaueiro de tudo se aproveita, da polpa rende belos sucos, da casca biogás, biofertilizante e ração para animais. Com a polpa de cacau pode se fazer ainda geléias, destilados finos, fermentados - a exemplo do vinho e do vinagre - e xaropes para confeito, além de néctares, sorvetes, doces e uso para yogurts.


 Remonta de 1500 a.C. na América Latina, os aztecas , maias  e toltecas o usavam como moeda e diziam que era o alimentos dos deuses. Levado para a Europa pelos espanhoís, e depois o restante da história todo mundo conhece... Da mesma maneira que a uva, o café, o óleo de oliva, o cacau possui denominação de origem - terroir. Basicamente, os cacaueiros descendem de exemplares de duas matrizes pertencentes à espécies Theobroma cacao. O forastero,cultivado desde a chegada dos exploradores espanhóis e portugueses à Bacia Amazônica e ao Equador, é responsável por cerca de 80% produção mundial de cacau.

No Caribe:
Santo Domingo - sabor intenso e rico, com notas de frutas.
Grenade - aqui a variedade criollo cultivada. Representa menos de 0,1%, sabor sutil e refinado.
Jamaica - cravo e especiarias.

Na África:
São Tomé - sabor de flores e ervas.
Tanzânia - é um chocolate raro, muito aromático, com um toque útil de baunilha.
Madagascar - notas cítricas.

Na Ásia:
Java - muito nobre, com nuances de caramelo.
Papua - mescla do criollo e do forastero, notas de especiarias e aromas ricos.

Na América do Sul:
Brasil - frutas vermelhas, madeira, cajá e pitanga.

O Brasil produz cerca de 70% do cacau do mundo, mas, pasme, atualmente, não conseguimos encontrar cacau orgânico para consumo porque tudo vai para o exterior, garantindo, assim, a saúde e a qualidade de vida de alguém no além-mar. O nosso melhor cacau está em algum achocolatado italiano, inglês, francês, suíço, espanhol…, em algum biscoito que importamos por preço exorbitante e achamos lindo na embalagem branquinha com listas azuis. Parece que pouco mudou desde a chegada dos espanhóis e portugueses. Acho que temos talento para colônia mesmo.